| |
| Garra no Click |
| O fot?grafo israelense Kobi Israel revela
a beleza do corpo e da alma de homens do mundo inteiro
|
| Texto Pedro Stephan |
| |
| Kobi Israel, 32 anos , israelense - uma estrela em ascensão
no mundo da fotografia -, conseguiu seu espaço com
muita garra e habilidade. Kobi estudou cinema e técnica
de still (fotografia de cena para cinema) na Academic School
of Art em Tel Aviv, porém quando a grana apertou foi
mesmo trabalhar como comissário de bordo da El Al,
companhia internacional de aviação israelense.
Mas ao invés de esquecer-se do cinema e da fotografia,
aproveitou-se do fato de que, através de seu trabalho,
estava sempre em contato com as mais variadas paisagens e
etnias, e começou a fotografar as cidades em que passava
ao redor do mundo. |
| Graças a essas viagens, também fez contatos.
Conseguiu expor em galerias de arte em diversos países
e participar de várias mostras em salões de
arte, recebendo elogios e chamando a atenção
dos críticos. Um belo dia tomou coragem e fez um belíssimo
ensaio de nu masculino no campo verdejante de um kibutz. O
sucesso foi tanto que a partir daí não parou
mais: fez vários ensaios de nu para revistas gays mundo
afora. Atualmente mora em Madrid, onde além de fotografar
ensina técnica de still e foto digital em duas escolas. |
| |
| Quais são as suas influências na fotografia?
E especificamente no nu masculino? |
| Minhas principais influências em fotografia são
dos trabalhos de Nan Goldin e Sophie Calle. Admiro a maneira
como elas captam a vida cotidiana. Eu também incluo
na minha lista Richard Billingham na sua série Risos
do Ray. Quanto à influência de outros fotógrafos
de nu masculino no meu trabalho, não há. Acho
que a maioria dos grandes fotógrafos se concentra no
exterior, no físico, enquanto eu busco algo que venha
do interior daquele que fotografo. |
| |
| Como foi a aventura de fotografar o primeiro homem nu? |
| Adorei essa pergunta, acho que realmente o primeiro ensaio
de nu é como uma primeira transa! Durante muito tempo
eu me oferecia para fazer fotos mas não conseguia nada.
Eu ficava ao mesmo tempo com medo e excitado com a idéia.
Então encontrei um cara muito bonito, doce e alegre,
e perguntei, de maneira muito elegante e sem malícia,
se ele posaria. Ele topou, e resolvemos tentar fazer as fotos.
O nome dele é Rami. Peguei minha máquina e fomos
para um kibutz, em Israel. Essa sessão foi tão
bem sucedida que me abriu portas para inúmeros trabalhos. |
| |
| Como e onde você consegue os modelos? Que técnica
usa para deixá-los tão à vontade e espontâneos
nas fotos? |
| Desde o inicio até hoje, os modelos sempre foram
amigos meus ou amigos de amigos, Recentemente me mudei para
Madrid e aqui estou procurando por novos modelos que provavelmente
irei conhecer através da internet ou em bares e clubes
daqui. |
| |
| Hoje vemos (por causa da influencia da grande mídia
internacional) um modelo masculino de beleza que é
impingido ao mundo todo, principalmente na publicidade, moda,
e revistas gays. Você acha isso bom ou ruim? |
| Isso é um grande problema e uma questão a
ser pensada. A maioria glorifica homens ocidentais, brancos,
sem pêlos, com corpo malhadíssimo. Mas existem
muitos outros modelos e padrões de beleza interessantes.
Além do que as pessoas ficam só com o corpo.
E a expressão da alma das pessoas através do
corpo? Isso é o que me interessa. Espero que os editores
das revistas gays se inspirem em tudo aquilo que é
feito na arte contemporânea atual e se aventurem com
novos visuais, novos estilos, novas poses... |
| |
| Em alguns ensaios você busca retratar, ou recriar
uma cotidiano (ainda que glamurizado) de um casal gay classe
média. Qual a sua intenção com isso? |
| Por muito tempo procurei retratar casais bastante especiais.
Eu queria dizer algo sobre o dia-a-dia da vida em comum, sobre
os pequenos gestos que são a expressão do ser
humano. Ultimamente, tenho incluído eu mesmo nas séries
que tenho feito sobre meu namorado Gadi, mas esse trabalho
ainda está em andamento. |
| |
| Você, como comissário de bordo, viajou o
mundo inteiro, e, além das inúmeras paisagens,
viu também muitos tipos de homens e de culturas masculinas.
Dentre essas etnias, qual chamou mais a sua atenção? |
| Repito o que já disse antes: não busco só
a beleza masculina externa e imediata. Por exemplo, a cena
nova-iorquina do Chelsea é fisicamente maravilhosa,
vista de fora. Mas o day after é chato e monótono
(desculpem garotos...) Mas devo dizer que amo o feeling e
o calor dos espanhóis e latinos. É fácil
sentir o espírito humano através de seus olhos
negros. Gosto do seu jeito de olhar e sua maneira caliente.
É parecido com a mentalidade judaica. Eu confesso que
não consigo entender a mentalidade e modo de vida americanos,
britânicos e dos europeus do norte. |
| |
|
-------------------------------------------------------------
|
| Pedro Stephan é jornalista. E fotógrafo, músico,
letrista, vídeo-maker, enfim, não consegue se
deter em apenas uma atividade. Além da Homens, colabora
regularmente com a Porn, na qual é autor, entre outras
coisas, das foto-ilustrações. Essas e outras
fotos de Kobi Israel, como o ensaio completo de Rami, podem
ser vistas em seu website, no endereço www.kobi-israel.com
. |